O que aconteceu com a restrição tripla?

proj_mngUm tema central para o gerente do projeto,é equilibrar demandas que competem entre si. O termo “restrição tripla” é uma frase muito conhecida em gerenciamento de projetos, que se refere às demandas de escopo, tempo e custo. O modo pelo qual essas três demandas são equilibradas afeta a qualidade. Se um desses fatores é afetado, pelo menos um dos outros fatores também será afetado.

Na terceira edição do Guia Project Management Body of Knowledge (PMBOK®) a restrição tripla era vista como uma parte importante da definição de gerenciamento de projeto. O PMI a definia como “Uma estrutura para avaliar demandas que competem entre si. A quarta edição do Guia não a menciona mais. O que aconteceu?

A restrição tripla é frequentemente apresentada como um triângulo onde um dos lados ou um dos cantos representa um dos parâmetros sendo gerenciados pela equipe do projeto”. Ou seja, o termo “restrição tripla” — escopo, tempo e custo — é utilizado no que se refere a gerenciar requisitos de projeto que competem entre si. A qualidade do projeto é afetada pelo equilíbrio desses três fatores, cujo relacionamento é tal, que se um desses fatores muda pelo menos outro fator provavelmente será afetado.

O que mudou na restrição tripla?

Desde sua quarta edição o Guia PMBOK® removeu a referência à “Restrição Tripla”. A restrição de escopo, cronograma e custo não é mais mencionada. A versão atual do Guia PMBOK® mudou o nome “tempo” para “cronograma” e “custo” para orçamento, adicionando três novas restrições. As seis restrições são: Escopo, Qualidade, Cronograma, Orçamento, Recursos e Risco.

Especialmente quando lidando com recursos altamente especializados, faz sentido considerá-los como uma restrição, uma vez que pode haver poucos, com limitações de tempo, o que dificulta seu engajamento no projeto. Se as partes interessadas mudam sua tolerância ao risco, isto também vai afetar outras restrições. Note também que a qualidade não é meramente afetada pelo modo como as três restrições são equilibradas — é considerada também uma restrição.

Certamente há mais do que somente três restrições, porém essas ainda são as mais importantes que um gerente de projeto deve gerenciar para entregar um projeto com sucesso. Com certeza é necessário gerenciar risco, qualidade e recursos, etc., no entanto, essas restrições adicionais acabam afetando o escopo, o cronograma e o orçamento. Projetos ligados à área de saúde, por exemplo, têm restrições importantes no que se refere à qualidade, o que leva a um cronograma mais longo (para que se incrementem os testes) bem como um orçamento maior. Porém isto é um reflexo da restrição tripla. O mesmo se pode dizer de riscos e recursos.

A restrição tripla é um bom modo de mostrar as escolhas que devem ser feitas entre prioridades que competem entre si. Desse modo, talvez tivesse sido melhor o PMI simplesmente ter apontado as limitações da restrição tripla, ao invés de removê-la. Talvez esta venha a ser adicionada novamente na próxima edição do Guia PMBOK®.

Além disso, caso realmente se acredite que a “restrição tripla” não seja apropriada, há ainda que se considerar que outras áreas do conhecimento podem conter restrições importantes. Por exemplo, dependendo da natureza do projeto, erros em comunicações podem levar um projeto a falhar. Entretanto, isto não quer dizer que você deva gastar todo seu tempo se comunicando com as partes interessadas. Desse modo, não seriam também as comunicações uma restrição, uma vez que você tem de equilibrar com as outras?

Mauro Sotille

Especialista em gerenciamento de projetos, programas, portfólio e riscos. Com 25 anos de experiência em gerenciamento de projetos, foi responsável por mais de 50 projetos em diversos países. Atuou em empresas como Hewlett-Packard, Saab Sweden e Dana. É Diretor da PM Tech, onde fornece capacitação profissional e consultoria a organizações na implantação bem-sucedida de cultura corporativa de Projetos. Foi Mentor do Project Management Institute (PMI) para o Brasil, Presidente do PMI-RS e membro da equipe que desenvolveu o Guia PMBOK® e outros guias. Certificado pelo PMI como Project Management Professional (PMP) desde 1998 e Risk Management Professional (PMI-RMP), é autor de livros sobre Gerenciamento de Projetos, Escritórios de Projetos (PMO) e Certificação PMP. Doutorando em Administração de Empresas, possui MBA em Administração, pós-graduação em Computação e graduação em Informática e em Engenharia Mecânica. É professor convidado junto à Fundação Getúlio Vargas e outras instituições.

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9 comentários para O que aconteceu com a restrição tripla?

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  • monica badaro ferreira

    As restricões então não estão limitadas a essas seis?
    podemos considerar comunicação, integração e aquisição como restrição tmb?
    É válida para o PMBOK 4ª edição?

    Essa materia é um pouco nova pra mim, e to estudando pq vou fazer um concurso e vai cair sobre PMBOK 4ª edição.

    Grata pela atenção.

  • O Guia PMBOK 4ª edição nos informa que gerenciar um projeto inclui o balanceamento das restrições conflitantes do projeto que incluem, mas não se limitam a escopo, qualidade, cronograma, orçamento, recursos e risco. Ou seja, devem ser consideradas no mínimo as restrições citadas, porém outras também podem ser consideradas.

    Aproveitando: a tradução em Português do guia repete “escopo”, onde em Inglês encontramos “qualidade”.

  • monica badaro ferreira

    Entendi.
    Obrigada por esclarecer minha dúvida.

  • Edu

    Mas qual seria o certo Escopo(que é o alvo,objetivo ou propósito),ou Qualidade(conformidade com as exigências dos clientes)?

    È certo dizer que a Triple Constraint,é definida por Schedule(Cronograma),Cost(Custo) e perfomance(desempenho)?

    desde ja fico garto.

  • Mauro Sotille

    Olá Edu,

    As definições mais usuais citam escopo, tempo e custo. Max Wideman nos diz que restrição tripla costumava descrever especificação de desempenho, tempo do cronograma e orçamento monetário, porém informa que o termo está obsoleto, uma vez que atualmente existem quatro objetivos fundamentais e inter-relacionados: escopo, qualidade, tempo e custo. Outros autores concordam. Segundo a Wikipedia, o refinamento das restrições separou “qualidade” do produto, ou “desempenho”, de escopo, e tornou qualidade uma quarta restrição.

    Abraço, Mauro Sotille.

  • Edu

    Bom dia,
    Posso afirmar então que do triangulo(escopo,tempo e custo)que seria o mais usual,para uma piramide com o acrescimo da qualidade,mas o hexagrama com escopo,qualidade,cronograma,orçamento,recurso e risco seria então só mais detalhada?

    Desde ja fico grato.
    Att,Edu.

  • Mauro Sotille

    Desde a quarta edição do Guia PMBOK®, lançada em 2008, o PMI mudou sua visão das restrições de um projeto. Desse modo, quando ensinamos os princípios de gerenciamento de projetos para novos GPs, buscamos mostrar que o gerenciamento de projetos moderno vai além do “triângulo de ferro” original, mais qualidade. O que se propõe agora é que duas outras prioridades tenham o mesmo peso: risco e satisfação do cliente. Assim, atualmente se usa uma figura de 6 lados para representar as prioridades que os projetos modernos devem satisfazer, substituindo a visão anterior.
    A mesma visão é compartilhada por outras referências. O PRINCE2 lista 6 restrições ao gerenciamento de projeto: Tempo, custo, qualidade, escopo, riscos e benefícios. Claro que existem variações: Se você olhar a mesma coisa da perspectiva do Gerenciamento de projetos ágeis, você poderia dizer que o escopo não é uma restrição, uma vez que escopo é algo que se assume que vai mudar (devido a prioridades ou valores de negócio).

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